Como todo cara que curte carros, eu tenho uma queda por uma certa
categoria de automóvel. Para muitos, essa queda é por carros exóticos,
rápidos, potentes e luxuosos. Para mim, como efeito colateral de uma
condição conhecida pela sociologia como “ser meio pobre”, são os carros
do outro extremo do espectro. Fazer carros rápidos, luxuosos e cheios de
gadgets é algo bem explorado; a última fronteira de verdade na
indústria automotiva é fazer carros de verdade pelo preço mais baixo
possível.
A época atual é bastante animadora para quem nivela por baixo, como
eu. Enquanto nos anos anteriores só havia modelos como o Dacia/Renault
Logan para examinar, a India vem avançando a passos largos no segmento
dos automóveis de preço ultra-baixo, primeiro com o Tata Nano, e agora
com o recém-revelado Bajaj RE60 – que promete ser vendido por ainda
menos que o Nano, a planejados 2.200 dólares.
A Bajaj é lembrada por produzir os onipresentes Tuk-tuks de três
rodas, que são a coluna vertebral da frota motorizada indiana. O RE60 é
sua primeira investida no transporte sobre quatro rodas, que a companhia
estranhamente reluta em chamar de carro. Na verdade, existem rumores de
que o diretor executivo da companhia realmente disse “isso não é um
carro.”
Francamente, isso é um absurdo. É um carro. Entendo que eles devam
querer evitar comparações diretas entre o RE60 e veículos mais
tradicionais, mas isso não faz dele um “não-carro”. Claro, é um carro
incrivelmente barato e feito cortando todos os custos possíveis mas,
caramba, Bajaj, tenha colhões! Além disso, eu gostei mesmo dessa coisa
que vocês não chamam de carro.
Vamos analisar o projeto com muito, muito mais atenção do que qualquer ser racional que não seja indiano daria, que tal?
O projeto do RE60 é bastante similar ao Nano: em essência, uma
microvan de motor traseiro. E é pequena em todos os sentidos: motor de
200 cc com 20 cv, máxima em torno de 70 km/h e baixíssimo consumo – mais
de 30 km/l. O Nano tem um visual mais limpo e refinado, mas acho que na
proposta de alcançar os objetivos específicos de um carro barato
destinado às pessoas de renda mais baixa da Índia, o RE60 tem um design
melhor. Em alguns aspectos é até um pouco mais tradicional, pois
acrescenta um capô ao desenho monovolume do Nano e com isso consegue
oferecer mais espaço para a bagagem. É mais quadrado, a fim de
aproveitar ao máximo o espaço interno e, ainda que sem dúvida familiar, é
dono de um charme peculiar, quase francês.
Até agora não foram revelados muitos detalhes da construção, então
tentarei deduzir algumas coisas. Acho bastante provável que o
trem-de-força seja muito compacto, com motor e transmissão totalmente
integrados e montados diretamente no eixo traseiro. O compartimento de
carga traseiro ficaria acima do motor, e o acesso a ele seria pelo
assoalho do porta-malas, como nos VW Type III. Baseado na localização da
tampa do tanque de combustível, creio que este se posicione debaixo do
banco traseiro. O tamanho e a localização do estepe e do compartimento
de carga dianteiro são pura especulação, mas acredito que estejam bem
próximos da realidade.
Minha única grande implicância com o projeto tem a ver com os faróis.
O tema que permeia todo o desenho, cheio de curvas angulosas que
lembram vagamente uma placa de circuitos – não muito diferente da
linguagem de design do Kia Soul – funciona bem ligando todos os
elementos, mas em um veículo tão estreito, os farois largos e
horizontais são um erro, e fazem o carro parecer ainda mais estreito. Eu
as trocaria por pelas de formato similar, porém verticais. Vejam o
desenho; acho que assim ficaria melhor.
Nem vou fingir que alguém na Bajaj irá dar a mínima para isso, mas talvez alguns de vocês concordem comigo.
Fonte: .jalopnik
Disponível no(a): http://www.jalopnik.com.br
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