Concessionários adotam estratégia americana para aumentar lucro. Outro serviço que deve ser oferecido é a manutenção pré-paga.
pré-pagos de manutenção (Foto: Arquivo/TV Globo)
Prática comum no mundo dos eletrônicos, a garantia estendida já foi
adotada pelas lojas de carros nos Estado Unidos como uma forma lucrativa
de fidelizar clientes. Agora, de acordo com o novo presidente da
Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave),
Flavio Meneghetti, o Brasil também vai aderir à prática, dentro do
chamado F&I -que é tudo o que engloba seguros e outros serviços que
não são exatamente a venda de carro.
A afirmação foi feita durante o congresso da "Fenabrave" dos EUA,
conhecida pela sigla Nada, encerrado na última segunda-feira (6). Para o
cliente, o serviço funciona da seguinte maneira: a montadora dá uma
garantia - no Brasil chega a 6 anos - e, vencido este prazo, o cliente
paga determinado valor ao concessionário para prolongar a cobertura.
Para a concessionária, nos dois casos, há a "certeza" de que o cliente
voltará, já que a manutenção do carro tem de ser feita na rede da marca
para o contrato valer.
Manutenção pré-pagaOutra prática que começa a ser
aplicada no mercado brasileiro é a venda de pacotes de manutenção
pré-pagos. Assim, o cliente consegue comprar serviços simples, como
troca de óleo ou de palhetas do limpador de para-brisa, por preços mais
baixos do que os oferecidos em oficinas comuns.
"A rede vai investir cada vez mais em pós-venda, porque a margem de
lucro com o carro em si está muito baixa", diz Meneghetti. No Brasil,
segundo ele, a rentabilidade é de 2%, em média.
O presidente da Fenabrave afirma que, para a estratégia funcionar, os
concessionários precisam manter um treinamento contínuo das equipes de
vendas e pós-venda. "Queremos intensificar a atuação da Universidade
Fenabrave e de canais de treinamento como a TV Fenabrave e a internet."
'Briga' com as locadoras
Meneghetti afirma ainda que a 'briga' das concessionárias neste ano
será contra as vendas diretas. Segundo ele, a Fenabrave vai pressionar a
Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea)
para os dois lados chegarem a um acordo quanto às vendas para pessoas
jurídicas, que ganham descontos maiores e compram direto das
fabricantes.
"Com a vantagem de preço, frotistas como locadoras de veículos vendem
carros a um preço impossível de competirmos", argumenta Meneghetti.
Segundo ele, além de contarem com preços mais vantajosos na compra, por
pagarem 30% a menos de IPVA, ICMS, Pis e Cofins, as locadoras não pagam
ISS, ICMS, Pis e Cofins ao vender o veículo por causa da Lei Kandir.
"As vendas diretas prejudicam as próprias montadoras. Elas desgastam a
imagem e o valor de revenda de seu portfólio de produtos", afirma.
"Fenabrave e Anfavea precisam achar uma solução juntas."
Não é a primeira vez que a Fenabrave se queixa das locadoras. Em
novembro passado, o então presidente Sérgio Reze fez a crítica.
Procurado pelo G1, na época, o presidente da entidade a Associação Brasileira de Locadoras de Automóveis (Abla), João Claudio Bourg, afirmou que as locadoras são clientes das próprias concessionárias
e, por isso, não haveria motivos para a Fenabrave reclamar. “Nenhuma
locadora, ninguém compra veículo direto com montadora. A compra é feita
por meio de concessionárias”, destaca Bourg.
No entanto, a Fenabrave alega que, embora o carro passe pela
concessionária, a rede de distribuição não recebe porcentagem sobre a
venda, por isso se trata de uma venda direta com a montadora.
A Fenabrave diz que as vendas diretas de carros no Brasil representam
30% e que as montadoras teriam perdido o controle deste tipo de
operação. Nos Estados Unidos, a rede de distribuição também enfrenta
este problema, mas a participação é menor, de 18%, segundo o
economista-chefe da Nada, Paul Taylor. Em situação ainda pior,
concessionários na Europa tentam resolver o problema na Justiça.
Fonte: Gq
Disponível no(a): http://g1.globo.com/carros
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