Com mercado fortalecido, evento esportivo vira vitrine de carros. Alta da demanda já deixa modelos mais caros nos Estados Unidos.
A final do campeonato nacional de futebol americano, o Super Bowl, vai
parar os Estados Unidos neste domingo (5). Por isso, anúncios de
montadoras nos intervalos do jogo não vão faltar no segundo mais caro da
televisão mundial.
As principais marcas estarão presentes - de General Motors a Hyundai -
para convencer o consumidor local de que seu dinheiro "recuperado", após
uma das piores crises econômicas da história da terra do Tio Sam, será
um bom investimento em um bem de consumo cada vez mais caro nos EUA, o
carro.
O economista-chefe da National Automobile Dealers Association (Nada),
Paul Taylor, entidade que responde pelas concessionárias dos Estados
Unidos, acredita que o mercado vá crescer pouco este ano, para 13,8
milhões de unidades de automóveis e comerciais leves.
Em 2011, foram vendidas 13,36 milhões de unidades de automóveis e comerciais leves.
O crescimento, no entanto, deve ganhar força em 2013, com 15,4 milhões,
e em 2014, com 16,2 milhões de unidades comercializadas.
Mesmo que o volume não chegue ao patamar de antes da crise de 2008,
quando ficou perto das 17 milhões de unidades em 2005, ele já é
considerado "saudável". Assim, a confiança das montadoras se concentra
na retomada do crédito, em clientes com dívidas quitadas, na melhora do
quadro de desemprego e na renovação da frota (a idade média de um carro
nos Estados Unidos está em 10,7 anos).
Carros mais caros no EUA
O impacto do bom humor que toma conta da nação em ano de eleições
presidenciais já se reflete no preço dos carros. Afinal, a alta da
demanda força a elevação dos preços: é a natural lei da oferta e da
procura. Nas lojas, é visível que as promoções não são mais "fartas" nas
janelas das lojas e o governo só incentiva por meio de benefícios
fiscais a compra de carros híbridos e elétricos.
As pesquisas de mercado confirmam o movimento. Nesta sexta-feira (3), a
consultoria J.D. Powers divulgou levantamento que aponta aumento de 11%
dos preços dos carros ao comparar com os valores praticados no crítico
ano de 2008. Naquele período, o valor médio pago por um carro no mercado
norte-americano era de US$ 25.500. Em janeiro de 2012, a média foi de
US$ 28.341. Isso levando em conta que não houve uma migração dos
consumidores para produtos mais caros. O perfil das pessoas aqui nos EUA
praticamente não mudou.
Tanto é que, na prática, as fabricantes têm apostado em motores mais
eficientes e menos gastões e em carros considerados pequenos - para o
americano, um sedã grande brasileiro é o que eles chamam de sedã
pequeno.
Estratégias de cada montadora
Em análise feita para a NADA, o analista chefe para a América do Norte
da empresa de consultoria PwC Autofacts, Dan Montague, mostra que o mix
de produtos é considerado de alto nível neste momento pós-crise.
"A Ford conseguiu crescer em participação de mercado por dois anos
consecutivos", exemplifica Montague, que ressaltou o fim de marcas como a
Mercury. Além disso, segundo ele, por não aceitar ajuda do governo
Federal, a Ford cativou mais consumidores e, com a lição de casa feita,
conseguiu investir em conteúdo tecnológico para seus carros, o que pode
ser visto com o novo Focus, o totalmente reformulado Escape e a nova
geração do Fusion, apresentada no Salão de Detroit, em janeiro.
No caso da líder de mercado General Motors, a estratégia de retomada
foi a total renovação dos produtos - como acontece também no Brasil,
atualmente -, com o lançamento de carros que ressaltam conteúdo, com os
Chevrolet Malibu, Cruze e Impala. O diretor da PwC Autofacts, Brandon
Mason, destaca ainda a reinvenção de uma Cadillac mais jovem, com os
novos luxuosos XTS e ATS. "A GM está usando os produtos globais para
acrescentar qualidade e novo design em seu portfólio", reforça Mason.
Enquanto isso, a Chrysler desfruta de um bom casamento com a italiana
Fiat, que a ajudou a inovar em estilo, eficiência e rentabilidade.
Destaque para o modelo Chrysler 300 e o Dodge Dart.
Corrida contra o tempo
Na terra onde "time is money" sempre, aproveitar a má fase das
japonesas Toyota e Honda, por causa de recalls e desastres naturais no
ano passado, é uma questão de sobrevivência. Até porque, quem mais tenta
ganhar com as oscilações do mercado norte-americano são marcas
emergentes por aqui, como Hyundai, Kia, Volkswagen e Nissan.
Aliás, todas essas terão participação de, pelo menos, 30 segundos
durante os intervalos do Super Bowl. Apesar de tanta criatividade e de
tanto dinheiro gastos nas telas de uma só vez, somente os próximos meses
de vendas poderão mostrar qual delas realmente fez o "touch down".
Fonte: G1
Disponível no(a): http://g1.globo.com/carros/
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