Saturday, February 4, 2012

Indy- Existe vida brasileira após a F-1? Sim, e é lá nos EUA






Com o recente teste de Rubens Barrichello na KV Racing,
e a boa repercussão dos resultados, o brasileiro caminha para ser mais
um integrante da IndyCar oriundo da Fórmula 1. No passado, alguns de
nossos representantes fizeram esta mudança. Vamos relembrá-los?





Emerson Fittipaldi





Com uma carreira irretocável na Fórmula 1, sagrando-se bicampeão com
os títulos de 72 e 74, fez seu primeiro contato com os carros
norte-americanos da Indy quando visitava o país no ano de seu bi. Lá
Emerson testou um McLaren adaptado para voar nos ovais, mas foi somente
dez anos depois que ele de fato veio correr na terra do Tio Sam.


Após aposentar-se da F-1 em 80 com o fim da aventura da equipe
própria, tirou quatros anos sabáticos de grandes campeonatos. Em 84,
Emerson competiu por dois times diferentes da Cart antes de se juntar à
Patrick, time que defendeu por cinco anos, conquistando onze vitórias e
seu primeiro título da Cart e das 500 Milhas de Indianápolis, em 1989.
Após ter se solidificado de vez na categoria, o nosso “Rato” virou
“Emmo”.


Em 1990 Emerson transferiu-se para a Penske, a equipe mais
tradicional da categoria, pela qual venceu novamente as 500 Milhas de
Indianápolis e que lhe fez lutar diretamente por mais dois campeonatos
da Cart (93 e 94).


No final da carreira, foi piloto da Hogan em 96 sem muito destaque.
Após um grave acidente no oval de Michigan, resolveu aposentar-se, dando
fim a uma carreira “pra-lá” de respeitável. Emmo faz parte de um
seletíssimo grupo de pilotos que foram campeões tanto na Fórmula 1
quanto na Cart. Foram eles: Mario Andretti, Nigel Mansell e Jacques
Villeneuve.



Chico Serra





Piloto brazuca da Fittipaldi em sua fase terminal, marcou um ponto na
Fórmula 1 (Zolder, Bélgica, 1982) antes de se mudar para a Arrows, onde
fez boas atuações, mas sem nunca chegar a pontuar. Após poucas corridas
foi dispensado e não mais voltaria a sentar em um carro da
categoria. Em 1985, dois anos após sua aposentadoria da F-1, foi
convidado por Emerson para tentar a vida na Cart.


Por lá, a bordo de um Ensign com chassi da Theodore, disputou o GP de
Portland, mas após 29 voltas seu motor abriu o bico. Foi sua única e
desconhecida chance. Depois disso, concentrou seu foco nos carros de
Stock no Brasil e fez sucesso, sagrando-se tricampeão da categoria.



Raul Boesel





Piloto multicategoria, teve seu nome levado ao topo depois de sua
saída da Fórmula 1. Mas não na Cart. Foi nos Esporte-Protótipos que
Boesel se deu bem. Ele, juntamente com Martin Brundle e John Nielsen e a
bordo de umJaguar XJR-9, foi campeão da temporada de 1987 do WSC.


Na Indy, disputou corridas de 85 até 2002 passeando por diversas
equipes, mas foi pela Dick Simon que obteve seus melhores resultados. Lá
chegou em quarto na temporada de 93, obtendo três segundos lugares
(Phoenix, Milwalkee e Detroit).


Sua última temporada competitiva foi pela Patrick em 97, quando
chegou em terceiro na corrida de Portland. De volta ao Brasil, competiu
algumas provas da Stock, mas preferiu dedicar seu tempo à outra
atividade, que acabou tornando-se uma profissão de fato: virou DJ.



Roberto Moreno





Após uma frustrada tentativa de iniciar-se na Fórmula 1 em 1982 pela
Lotus, Moreno, junto com Emerson Fittipaldi, quis tentar carreira na
América. Roberto disputou duas temporadas pela Galles, conquistando,
inclusive, um honroso quinto lugar em sua quinta corrida na categoria.


Após 86, retornou à Fórmula 1 para ficar perambulando por equipes do
fundo do grid. Em 94 tentou classificação para as 500 Milhas de
Indianápolis, mas não conseguiu. Porém, foi em 1996 que sua carreira na
Cart engrenou.


Contratado pela Payton/Coyne, chegou em terceiro na Indy 500, prova
que o projetou para a categoria. Lá ficou até 2003 disputando temporadas
inteiras. Depois disso, correu em provas esporádicas até 2008, sempre
no estilo que lhe fez fama e apelido: substituindo pilotos e tirando
leite de pedra.


O momento mais especial para Moreno na Cart foi em 2000, pela
Patrick, quando conquistou sua primeira vitória desde os tempos da
F-3000 e arrancou uma disparada rumo à disputa do título – acabou
terminando a temporada em terceiro, atrás de Gil de Ferran e Adrián
Fernandez. O Super-Sub venceria mais uma na Cart em Vancouver 2001.



Maurício Gugelmin





Simpático piloto catarinense, começou sua carreira na Fórmula 1 pela
March Leyton House. Foi por lá que conquistou seu maior feito na
categoria, quando chegou em uma heroica terceira colocação no Grande
Prêmio do Brasil de 89 em Jacarepaguá. Na March, Gugelmin ficou até 91,
quando se mudou para a Jordan em 92.


Em 93, sem sua vaga garantida, mudou-se para a Cart competindo pela
equipe de Dick Simon. Em 94 transferiu-se para a Chip Ganassi e começou a
pegar mão da categoria, mas foi pela PacWest que deslanchou de vez. A
partir de 1995, conquistou uma vitória, vários pódios e chegou em 4º no
campeonato de 97.


Em 95 começou e terminou as 500 Milhas de Indianápolis em sexto,
porém liderou a prova durante 59 voltas. Por determinada época também
obteve o recorde de maior velocidade dentro de um circuito fechado de um
carro de corrida. Em Fontana 97, cravou a velocidade máxima de 387.759
km/h!


Na derradeira temporada na Cart, Gugelmin sofreu uma tremenda pancada
durante treinos para a corrida do Texas, depois de uma escapada na
curva dois do oval. Com a morte de seu filho que sofria de paralisia
cerebral, em 2001, Maurício decidiu-se afastar de vez das corridas.



Christian Fittipaldi





Filho de Wilson e sobrinho de Emerson Fittipaldi, teve boas atuações
na Fórmula 1 mesmo correndo por equipes nanicas, como ter quase
beliscado pódios com uma Minardi e uma Footwork, mas seu fato mais
marcante durante os três anos que andou com um Fórmula 1 foi o backflip que deu em Monza 93, onde cruzou a linha de chegada em frangalhos após dar um loop de 360º a quase 300 km/h.


Após sua carreira na Fórmula 1 encerrar-se ao final de 1994, já
começou negociações para correr na Cart junto com o tio. Em 95 estreou
na Walker, e quase venceu as 500 Milhas de Indianápolis logo em sua
primeira temporada.


De 96 a 2002 disputou o campeonato pela poderosa Newman/Haas. Por lá
nunca teve a chance real de lutar pelo campeonato, mas pegou muitos
pódios e angariou duas vitórias (Road Atlanta 99 e Fontana 2000). Após a
Cart competiu na A1GP, Le Mans Series e na Stock Car brasileira.



Nelson Piquet





Após ter uma carreira mais do que vitoriosa e sem contestação na
Fórmula 1, Nelson Piquet quis experimentar o automobilismo americano,
mais especificamente as 500 Milhas de Indianápolis, a principal prova do
calendário da Indy.


Só que em um de seus primeiros contatos com a categoria, a física
mostrou que se acidentar por lá não é a mesma coisa que bater em um muro
ou guard rail da F-1. Piquet bateu nos treinos para a Indy 500 de 92 e sofreu ferimentos muito graves nas pernas, deixando-o acamado por um bom tempo.


No ano seguinte estava lá novamente para tentar vencer sua batalha
pessoal contra Indianápolis. Sem acidentes, mas também sem brilho,
estourou seu motor Buick na 38ª volta dando adeus a prova em 32º. O
ciclo estava fechado, e Piquet não mais se arriscaria nas corridas
americanas.



Tarso Marques





Piloto mais jovem a conquistar vitórias na F-Chevrolet e F-3, foi
direto para a F-300o Internacional e, com apenas 20 anos, já estreava na
Fórmula 1 pela Minardi, disputando as corridas da Argentina e do Brasil
na F-1 em 96. No ano seguinte conquistou o assento para a metade da
temporada, mas seus resultados não empolgaram.


Em 99 tentou a vida nos Estados Unidos correndo pela Penske no lugar
do machucado Al Unser Jr. Infelizmente, aquela foi talvez a pior
temporada da história da equipe de Roger Penske, culminando com a morte
do uruguaio Gonzalo Rodrigues em Laguna Seca. Sua melhor posição de
chegada foi uma nona colocação.


Voltou para a Minardi em 2001, quando assumiu o papel de escudeiro (e
quase professor) de um jovem espanhol chamado Fernando Alonso. Os dois são amigos até hoje.  Em 2000, 2004 e 2005, pilotou esporadicamente na Indy pela Dayle Coyne, onde seu melhor resultado foi uma 11ª colocação.


De volta ao Brasil para disputar a Stock Car, virou notícia no ano
passado, suspenso por exames que detectaram substâncias proibidas em uma
corrida realizada em 2009.



Enrique Bernoldi





Piloto sem muito destaque na Fórmula 1 durante as duas temporadas que
passou por lá a serviço da Arrows, como companheiro do doidão e
experiente Jos Verstappen, teve seu ponto alto quando, com um carro
muito mais lento, segurou David Coulthard nas apertadas ruas do principado de Mônaco em 2001.


Após se ver sem assento na F-1, fez duas temporadas na World Series
para retornar como piloto de testes da BAR. Por lá ficou por mais duas
temporadas antes de vir para o Brasil disputar um ano de Stock Car.


Em 2008, foi atrás de uma carreira nos EUA e assinou com a
Rocketsports na ChampCar. Todavia, com a unificação da categoria com a
IRL, sua equipe não iria competir na Indy. Mas mais tarde a Conquest o
anunciava como piloto ao lado do brasileiro Jaime Câmara.  Um toque
entre os dois brasileiros em Watkins Glen e posteriores reclamações de
Bernoldi deixaram o clima ruim na equipe.


Logo depois, ele machucou a mão em um acidente e acabaria substituído
por Alex Tagliani. No ano seguinte, rumou para o FIA GT, onde começou a
correr de Maserati. Hoje é piloto do time da Nissan, a bordo dos GT-R
Sumo Power.



Antonio Pizzonia





Apesar da grande expectativa, Pizzonia não conseguiu uma carreira de
destaque na Fórmula 1 – e nos Estados Unidos. O Jungle Boy (natural de
Manaus/AM) entrou para a F1 com um currículo de respeito nas categorias
de base, incluindo títulos na F-Renault e F-3 inglesa, mais o apoio da
Petrobras, empresa que mantinha uma equipe na extinta F-3000.


Em 2003, foi contratado pela Jaguar e formou dupla com Mark Webber,
mas sem ambiente na equipe, sequer terminou a temporada e já foi
substituído por Justin Wilson (outro piloto que migrou para as corridas
estadunidenses). No ano seguinte foi contratado pela BMW-Williams como
piloto reserva. Participou das provas finais e pontuou em três delas,
Mesmo assim, teve de dar lugar ao alemão Nick Heidfeld no início da
temporada de 2005.


Em sua última temporada na Fórmula 1, juntou-se ao antigo companheiro
de equipe Mark Webber na Williams – novamente no fim da temporada, mas
sem sucesso. No ano seguinte, conseguiu uma vaga para ser piloto pagante
na Rocketsports da Champ Car, mas sem um patrocínio forte, só correu a
primeira etapa e mais três no fim da temporada. Depois de ficar zanzando
na GP2 e Fórmula Superleague, voltou para a Rocketsports em 2008 para
correr a derradeira corrida da Champ Car antes da reunificação. E foi
só.



Plus: Ayrton Senna





A convite de Emerson Fittipaldi, o então infeliz piloto da McLaren quis fazer uma pressão na cúpula da time ao aceitar um teste pela Penske em 1993. Ele sabia muito bem que aquele não era o seu lugar, mas queria se divertir pilotando um bólido turbo novamente.


No quase kartódromo de Firebird mostrou todo seu talento frente à
Cart, que sem dúvidas ganharia mais um campeão se Senna se mudasse para
lá. No fim, continuou na McLaren, e faria daquela temporada uma das mais
inesquecíveis de sua carreira, mesmo perdendo a disputa do título para
Alain Prost e sua Williams sobrenatural.

Fonte: jalopnik


Disponível no(a): http://www.jalopnik.com.br/

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