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Thursday, February 2, 2012

Fernando Calmon - FALTA DE SENSO



Alta Roda nº 666/30 – 02/02/2012

Fernando Calmon
Passou despercebida ou mal divulgada a publicação no Diário Oficial da União, dia 4 de janeiro último, da lei 12.587 que cria a Política Nacional de Mobilidade Urbana. Como sempre longo e pródigo em minúcias desnecessárias, o novo diploma legal tenta ordenar o caos no que os transportes urbano (em bem maior escala) e interestadual transformaram as médias e grandes cidades brasileiras.
O preocupante é a institucionalização do chamado rodízio baseado em finais de placas, maneira mais covarde de enfrentar os problemas de circulação. O artigo 23 lista algumas providências de que os entes federativos podem lançar mão, entre eles o pedágio urbano, sem se referir especificamente a automóveis:
Restrição e controle de acesso e circulação, permanente ou temporário, de veículos motorizados em locais e horários predeterminados.
Aplicação de tributos sobre modos e serviços de transporte urbano pela utilização da infraestrutura urbana, visando a desestimular o uso de determinados modos e serviços de mobilidade, vinculando-se a receita à aplicação exclusiva em infraestrutura urbana destinada ao transporte público coletivo e ao transporte não motorizado e no financiamento do subsídio público da tarifa de transporte público, na forma da lei. 
Em outras palavras os erros de planejamento não são atacados. Cuida de paliativos e nem procura incentivar os modais que realmente funcionam como o transporte sobre trilhos (superfície, suspenso e subterrâneo).
Essa lei ainda cria conflitos com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) que, exatamente por ser um código, tem prioridade institucional. O CTB explicita, de forma clara, que o rodízio para controle de circulação só pode se implantar com fins ambientais. Para resolver problemas de congestionamentos não seria possível, mas como estamos no Brasil, fica tudo por isso mesmo. A cidade de São Paulo implantou o rodízio sem as placas regulamentares, também em desacordo com o CTB.
Ainda no artigo 23, existe a obrigatoriedade dos entes federativos monitorarem e controlarem os gases de efeito local e de efeito estufa dos modos de transporte motorizados. O artigo 24 dá um prazo de três anos para que elaborem seu plano de mobilidade urbana, se desejarem receber recursos federais para esse fim. Pode ser um incentivo para os programas de controle de poluição veicular, dependentes de ações de estados e municípios, hoje mal coordenadas e com sérias distorções onde já se implantaram.
O estado do Rio de Janeiro uniu as inspeções ambiental e de segurança, porém longe de alcançar eficiência mínima. Ruim com ele, pior sem ele, é o que se pode dizer.
Em São Paulo, com sua frota maior do que a de vários estados, apenas a inspeção ambiental está tecnicamente bem implantada, apesar dos erros de procedimento iniciais. A tarifa do serviço, muito acima do razoável, sofreu este ano a primeira redução de 30%, motivo de comemoração. A principal distorção, no entanto, continua sem a atenção do Ministério Público. Ao contrário da experiência internacional que indica a inspeção ambiental no terceiro ou quarto licenciamento, em São Paulo carros com apenas três meses de uso devem se submeter ao controle. Total falta de senso.

RODA VIVA

APESAR de alguma semelhança com o atual 500, a Fiat trata o 500 L (Large, grande em inglês) como sucessor do Idea. Será lançado em março no Salão de Genebra e terá versões de cinco e sete lugares. Vendas na Europa começam em julho. Usa mesma arquitetura de carros compactos do grupo, que vai gerar o futuro Punto.

ANÁLISES na Europa deixam a entender que restam poucas alternativas à possível fusão entre os grupos PSA Peugeot Citroën e Fiat-Chrysler. Os dois conglomerados, separadamente, não poderiam enfrentar os gigantescos investimentos já alocados pelo grupo VW-Porsche. Participação somada de franceses e italianos, no mercado europeu, é menor que a do grupo alemão.

AUDI Q3 impressiona pelo estilo atual, em particular visto de ¾ de traseira, interior muito bem cuidado e combinação de recursos eletrônicos. Dimensionalmente semelhante ao Tiguan, o motor oferece mais 11 cv, quatro opções de controle de rodagem e um sistema atualizado do conhecido recurso de roda-livre para poupar combustível. Estará no mercado em abril.

MAGNÍFICO motor quatro cilindros turbo de 1,6 litro/165 cv (projetado pela BMW) passa a equipar o Peugeot 408. Trata-se da mesma unidade já usada nos 3008 e RCZ, além dos Minis. Será a versão de topo, Griffe THP, deste sedã derivado do 307/C4, fabricado na Argentina, ao preço de R$ 81.490.

GOVERNO Federal pretende endurecer a “Lei Seca”, não tão seca assim, pois há uma pequena tolerância. Gestiona junto ao Congresso multas ainda mais pesadas para quem beber e dirigir, além de penas administrativas (suspensão da carteira de habilitação) mais severas. Também prevê outros métodos de avaliar o nível etílico – testemunhas, entre outros – no caso de recusa ao bafômetro.

PERFIL
   
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
Siga também através do twitter:  www.twitter.com/fernandocalmon                                                                                                                               

Thursday, January 26, 2012

FERNANDO CALMON - VENCEDORES E VENCIDOS


Alta Roda nº 665/30 – 26/01/2012


Fernando Calmon
Houve apenas duas mudanças no ranking de modelos preferidos de 2011 em relação aos de 2010. O Fusion recuperou a liderança perdida para o Azera por uma margem apertada de dois pontos percentuais. Mas a marca sul-coreana conseguiu, graças ao preço baixo do Veloster, se acomodar no primeiro lugar entre os carros esporte/esportivos, apesar do seu desempenho sofrível (promete mudar com o motor de 200 cv).
Segmentos que mais cresceram foram os de automóveis grandes e de topo, mais em razão da base comparativa baixa. Médios-grandes, no entanto, subiram as vendas em 51% (muito acima do mercado, 3%) e os motores de 1 litro caíram para 45%, nível semelhante ao de 1995. Estes dois resultados refletem o claro aumento de poder aquisitivo dos compradores.
O critério da coluna – também muito usado no exterior – é somar hatches e sedãs de mesma arquitetura, mesmo que tenham nomes diferentes. Também somam-se gerações anteriores que convivem com as atuais, casos de Mille/Uno, Gol G4/G5 e Tucson/ix35, entre outros. Assim, Gol e Voyage formam uma dupla muito difícil de ser batida. Separando-se as versões, o Gol continuou na frente do Mille e o Siena supera o Voyage.
Briga indefinida pela liderança continua entre Palio Weekend/SpaceFox e Fit/Idea. Nos dois segmentos mais importantes (compactos e médios-compactos) há diferenças mínimas em disputa nas posições secundárias. Entre os SUVs pequenos a relação entre distância entreeixos (até 2,70 m) e comprimento é o fator de classificação formal, deixando o Captiva na fronteira inferior dos SUVs médios.
Os resultados abaixo, compilados por Paulo Garbossa, da ADK, incluem apenas modelos mais representativos. 
Classificação completa em www.twitter.com/fernandocalmon

Compactos: Gol/Voyage, 19%; Uno/Mille, 13%; Celta/Prisma, 9,8%; Palio/Siena, 9,6%; Corsa/Classic, 8%; Fiesta hatch/sedã, 7%; Fox/CrossFox, 6%; Logan/Sandero, 6%; Agile, 3,6%; Ka, 3,1%; 207 hatch/sedã, 2,7%; Punto/Linea, 2,4%; C3, 1,8%; Clio/Symbol, 1,6%; City, 1,2%; Polo hatch/sedã, 1,1%. Gol/Voyage parecem consolidados.
Médios-compactos: Corolla, 16%; Focus hatch/sedã, 11,3%; i30, 11,2%; Golf/Jetta, 9%; Astra hatch/sedã, 7,7%; Civic, 7,2%; Cerato, 6%; C4/Pallas, 5,7%; Vectra hatch/sedã, 5,6%; Bravo, 4%. Corolla resistiu, Focus reagiu.
Médios-grandes: Fusion, 19%; Azera, 17%; Sonata, 15%; Mercedes C, 13%. Fusion virou o jogo.
Grandes: Cadenza, 26%; Mercedes E/CLS, 24%; Omega, 22%; BMW 5/6, 21%. Cadenza ainda líder.
Topo: Panamera, 51%; BMW 7, 17%; Mercedes S/CL, 14%. Fácil para o Panamera.
Stations pequenas: Palio Weekend, 43%; SpaceFox, 42%; Parati, 9%. Liderança por um fio.
Stations medias/grandes: Mégane Grand Tour, 40%; i30 SW, 19%; Freemont, 4%. Grand Tour sem preocupação.
Monovolumes pequenos: Fit, 22%; Idea, 20%; Meriva, 17%. Fit já sob ameaça.
Monovolumes médios: Picasso Xsara/C4, 44%; Zafira, 35%; J6, 11%. Líder menos folgado.
Picapes pequenas: Strada, 48%; Saveiro, 29%; Montana, 18%. Nada mudou para a Strada.
Picapes médias: S10, 31%; Hilux, 24%; L200/Triton, 16%. Difícil encostar na S10.
Utilitários esporte pequenos: EcoSport, 23%; Tucson/ix35, 19%; CR-V, 10%. EcoSport enfraqueceu.
Utilitários esporte médios: Captiva, 24%; Sorento, 19%; Hilux, 16%. Captiva segurou a liderança.
Utilitários esporte grandes: Pajero Full/Dakar, 39%; Discovery, 18%; Veracruz, 15%. Pajero ampliou.
Esporte/Esportivo: Veloster, 47%; Camaro, 21%; Mercedes SLK, 8%. Veloster se garante com preço.

RODA VIVA

NA EUROPA, os dez automóveis mais vendidos em 2011: Golf, Polo, Fiesta, Corsa, Clio, Astra, Focus, 207, Mégane e Passat (único médio-grande da lista). Nos últimos 12 anos, o Golf liderou seis. Médios-grandes japoneses dominam o mercado americano: Camry, Altima, Accord, Fusion, Corolla/Matrix, Cruze, Sonata, Civic, Malibu e Elantra.
FONTES argentinas destacam que antigas instalações reformadas da Chrysler, em Córdoba, poderão fabricar a nova Dakota. Esta picape média (já produzida aqui) saiu de linha em 2010 e agora teria estrutura monobloco, se o projeto se confirmar nos EUA. Jeeps Cherokee e Grand Cherokee foram produzidos no país vizinho, entre 1997 e 2000.
CITROËN decidiu montar espaço-conceito na mais sofisticada rua da capital paulista, a Oscar Freire, frequentada também por muitos visitantes de outros Estados. Ideia diferente porque não venderá carros, nem será vitrine. Funcionamento, de fevereiro a dezembro, focará em atividades culturais: exposições, cursos, pequenos shows, música e gastronomia.
ATÉ OUTUBRO de 2014, todos os automóveis e comercais leves vendidos na Europa deverão sair de fábrica com Controle Eletrônico de Estabilidade (ESC, em inglês), que atua em conjunto com os freios ABS, corrigindo automaticamente a trajetória na iminência de derrapagem. O sistema existe desde 1995 e, portanto, passaram-se quase 20 anos até sua adoção obrigatória.

PERFIL
   
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
Siga também através do twitter:  www.twitter.com/fernandocalmon