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Wednesday, February 15, 2012

FERNANDO CALMON - PERIGO À FRENTE!


Fernando Calmon

Uma das causas insidiosas de acidentes é a perda de controle do carro por mudança súbita de aderência do asfalto. Isso acontece em razão de fatores da natureza como chuva, garoa, gelo ou neve. O fenômeno de aquaplaning é um exemplo: o filme de água se forma entre a estrada e os pneus, e estes não conseguem manter o atrito com o solo. Se atingir os quatro pneus, o veículo se transforma num trenó sem controle. Com as chuvas de verão, a atenção deve ser redobrada.
Nos países com invernos rigorosos esse problema se superpõe a outro ainda mais traiçoeiro. Uma fina camada de gelo, praticamente invisível, pode se formar na estrada em dias muito frios, mesmo sem presença de neve. Quando o automóvel passa sobre essa superfície, até em velocidades baixas, não há mais o que fazer, além de rezar.

Sensores de Atrito
A fim de enfrentar essas armadilhas do tempo a alemã Continental e outros parceiros europeus se uniram num programa de pesquisas avançada sobre atrito pneus-solo. O objetivo é fornecer ao motorista um sistema confiável de alerta prévio sobre as condições de baixa aderência. O segredo está na fusão e processamento de informações de diferentes sensores de comportamento dinâmico, tanto os novos como os já existentes nos carros modernos.
Um destes novos sensores inteligentes está integrado aos pneus e mede a deformação da banda de rodagem. Por meio dele é possível informar ao gerenciamento eletrônico central o estágio inicial de aquaplaning. Outro é o sensor ótico capaz de avaliar a quantidade de luz refletida no pavimento, diferente em pista seca, úmida, molhada ou com camada de gelo. O alcance se situa entre 0,4 m e 1,5 m à frente das rodas dianteiras.
Uma câmara de polarização detecta as diferenças na vertical e na horizontal causadas pelas condições da superfície de rodagem de 5 m a 20 m à frente do veículo. Um escâner a laser, por sua vez, checa pingos de chuva ou flocos de neve numa faixa de 50 m a 100 m adiante.
Mais duas informações são obtidas por termômetros: temperatura do meio ambiente e da superfície de rodagem. Os sensores do ABS (freios antibloqueio) e ESC (controle de trajetória) também ajudam pela sensibilidade de estimar diferença de atrito entre as rodas e a estrada.

Sensor de Pressão de Pneus
Computando todos esses dados, pode-se contrapor a leitura dos termômetros com as indicações dos sensores ambientais. Em décimos de segundo o sistema vai indicar que há uma ameaça potencial à perda de atrito dos pneus, dando possibilidade de reação ao motorista, que deve aliviar o acelerador ou frear em tempo de se safar de uma grave e repentina derrapagem.
Entrar na zona de superfície escorregadia com velocidade menor também ajuda os sistemas atuais de evitar ou mitigar colisões a atuar de forma mais eficiente sob condições ambientais adversas.
O modo de informar ao motorista sob esses riscos ainda está sendo estudado, mas é a parte mais fácil das pesquisas. Hoje há vários tipos de indicadores visuais disponíveis no quadro de instrumentos, além de alarmes acústicos, voz sintetizada de advertência e até alertas vibratórios no volante ou no banco. Projeção de ícones ou frases no para-brisa também é uma tecnologia dominada e tem a vantagem de manter o motorista sem desviar os olhos da estrada.

Thursday, February 9, 2012

FERNANDO CALMON - ENERGIA COM FIDELIZAÇÃO


Alta Roda nº 667/31 – 09/02/2012



Fernando Calmon
As alternativas energéticas estão, de novo, no centro das atenções. E, claro, isso tem muito a ver com o que acontece ou acontecerá nos EUA, de longe o maior consumidor de petróleo. A estratégia dos americanos é chegar ao mesmo objetivo dos europeus de emitir menos gás carbônico (CO2), um dos gases de efeito estufa que poderiam afetar o clima no planeta, mas atuando na diminuição de consumo de combustível. O resultado final, igual. Porém politicamente o discurso do carro econômico é mais palatável.
O tema se tornou tão relevante que o novo presidente da Nada (Associação Nacional de Concessionárias de Automóveis, em inglês), William Underriner, o elegeu como principal preocupação em seu mandato. A convenção anual da Nada, megaevento que reuniu 20.000 pessoas e uma grande exposição de fornecedores de serviços, este ano foi em Las Vegas. Naturalmente, fabricantes de veículos têm participação ativa e seis deles montaram estandes.
A Califórnia, maior mercado do país, estabeleceu, no final de janeiro último, uma meta de diminuição paulatina de consumo, alinhada à já anunciada pelo governo federal: média dos modelos comercializados deve atingir 23 km/l de gasolina até 2025 (hoje não chega a 14 km/l). Na realidade, a Califórnia quer 15,4% de veículos vendidos no estado movidos apenas a bateria, a pilha de hidrogênio ou híbridos plugáveis em tomada. Em outros termos, a eletricidade, em parte ou totalmente, passa a vigorar por decreto. Pode ocorrer uma revisão em 2018. Mesmo porque a infraestrutura precisa acompanhar.
Na convenção da Nada, os fabricantes apoiaram a medida, inclusive no discurso de Sergio Marchionne, presidente da Fiat-Chrysler, que considerou o objetivo factível. Os concessionários, porém, não se convenceram de que esse é o desejo dos consumidores, pois as novas tecnologias agregariam até US$ 5.000 (R$ 8.500) ao preço final dos automóveis, cuja média, hoje, está em US$ 22.000 (R$ 38.000).
Entre outros assuntos discutidos, se destacou a fidelização dos clientes no pós-venda e o estímulo a aprofundar ações. Uma delas é a pré-venda de serviços de manutenção, com bons descontos, já agregada às prestações do financiamento. Trata-se de um passo adiante às revisões a preço fixo existentes aqui. Nos EUA, concessionárias colocam cartazes comparando os preços de seus serviços, mais em conta do que nas redes de autocentros, nominadas uma a uma.
Outra iniciativa, ainda pouco aceita no Brasil, é a garantia estendida. O produto vem aumentando de interesse nos EUA, como forma de evitar que proprietários de veículo se afastem após o período de cobertura oferecido pelo fabricante. Só que se trata realmente de um seguro, sem vincular o motorista a uma concessionária e tem abrangência nacional. Essa cultura de atendimento desburocratizado e regras claras faz parte do ambiente de negócios americano.
Flavio Meneghetti, presidente da Fenabrave, considerou positivo que mais concessionários brasileiros, a cada ano, compareçam às conferências da Nada. A utilização das ferramentas de internet está no ápice e lá não faltam especialistas. Muitos desses recursos permanecem subutilizados no País.

RODA VIVA

EMBORA os resultados de vendas em janeiro no mercado interno tenham sido recordes, os estoques voltaram a subir de 30 dias, em dezembro de 2011, para 36 dias, no mês passado. Dois indicadores continuam desconfortáveis: inadimplência de 5% (2,5%, em 2010) e índice de confiança do consumidor da FGV (menos 4 pontos). Queda dos importados foi maior pela antecipação de compras, antes do aumento do IPI.


ANFAVEA, ao fazer o balanço mensal da indústria, nada quis comentar sobre negociações de revisão do acordo comercial automobilístico México-Mercosul. Significa que, nos bastidores, as coisas devem estar quentes. Imbróglio será resolvido, mas o governo federal parece meio perdido no intervencionismo. Ora pende para um lado, ora para outro.

CIVIC deve ir bem no Brasil com as reformulações do modelo 2012, principalmente no interior, com até duas telas, uma delas sensível ao toque e que inclui navegador. Mudanças de estilo foram pequenas. Mecanicamente há evoluções sutis, no dia a dia urbano e em estradas. No entanto, o carro ficou mais na mão, sem dúvida. Porta-malas cresceu à custa do estepe estreito.
NOS EUA, o Civic sofre com críticas de falta de audácia no desenho e menos equipamentos. Tanto que a Honda providencia alguns retoques para breve, depois de apenas um ano de vendas. Nesse segmento, porém, o carro vendido lá tem outro público em relação ao daqui. Nada indica que as situações sejam comparáveis. O tempo vai dizer.

INTERESSANTE a iniciativa do Inmetro ( Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) de produzir, na sua série de vídeos “Faça Certo”, um específico explicando sobre os bancos infantis obrigatórios. Há dúvidas esclarecidas de forma bem didática e eficiente. Basta acessar www.youtube.com/tvinmetro.

PERFIL
   
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
Siga também através do twitter:  www.twitter.com/fernandocalmon                                                                                                                               


Thursday, February 2, 2012

Fernando Calmon - FALTA DE SENSO



Alta Roda nº 666/30 – 02/02/2012

Fernando Calmon
Passou despercebida ou mal divulgada a publicação no Diário Oficial da União, dia 4 de janeiro último, da lei 12.587 que cria a Política Nacional de Mobilidade Urbana. Como sempre longo e pródigo em minúcias desnecessárias, o novo diploma legal tenta ordenar o caos no que os transportes urbano (em bem maior escala) e interestadual transformaram as médias e grandes cidades brasileiras.
O preocupante é a institucionalização do chamado rodízio baseado em finais de placas, maneira mais covarde de enfrentar os problemas de circulação. O artigo 23 lista algumas providências de que os entes federativos podem lançar mão, entre eles o pedágio urbano, sem se referir especificamente a automóveis:
Restrição e controle de acesso e circulação, permanente ou temporário, de veículos motorizados em locais e horários predeterminados.
Aplicação de tributos sobre modos e serviços de transporte urbano pela utilização da infraestrutura urbana, visando a desestimular o uso de determinados modos e serviços de mobilidade, vinculando-se a receita à aplicação exclusiva em infraestrutura urbana destinada ao transporte público coletivo e ao transporte não motorizado e no financiamento do subsídio público da tarifa de transporte público, na forma da lei. 
Em outras palavras os erros de planejamento não são atacados. Cuida de paliativos e nem procura incentivar os modais que realmente funcionam como o transporte sobre trilhos (superfície, suspenso e subterrâneo).
Essa lei ainda cria conflitos com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) que, exatamente por ser um código, tem prioridade institucional. O CTB explicita, de forma clara, que o rodízio para controle de circulação só pode se implantar com fins ambientais. Para resolver problemas de congestionamentos não seria possível, mas como estamos no Brasil, fica tudo por isso mesmo. A cidade de São Paulo implantou o rodízio sem as placas regulamentares, também em desacordo com o CTB.
Ainda no artigo 23, existe a obrigatoriedade dos entes federativos monitorarem e controlarem os gases de efeito local e de efeito estufa dos modos de transporte motorizados. O artigo 24 dá um prazo de três anos para que elaborem seu plano de mobilidade urbana, se desejarem receber recursos federais para esse fim. Pode ser um incentivo para os programas de controle de poluição veicular, dependentes de ações de estados e municípios, hoje mal coordenadas e com sérias distorções onde já se implantaram.
O estado do Rio de Janeiro uniu as inspeções ambiental e de segurança, porém longe de alcançar eficiência mínima. Ruim com ele, pior sem ele, é o que se pode dizer.
Em São Paulo, com sua frota maior do que a de vários estados, apenas a inspeção ambiental está tecnicamente bem implantada, apesar dos erros de procedimento iniciais. A tarifa do serviço, muito acima do razoável, sofreu este ano a primeira redução de 30%, motivo de comemoração. A principal distorção, no entanto, continua sem a atenção do Ministério Público. Ao contrário da experiência internacional que indica a inspeção ambiental no terceiro ou quarto licenciamento, em São Paulo carros com apenas três meses de uso devem se submeter ao controle. Total falta de senso.

RODA VIVA

APESAR de alguma semelhança com o atual 500, a Fiat trata o 500 L (Large, grande em inglês) como sucessor do Idea. Será lançado em março no Salão de Genebra e terá versões de cinco e sete lugares. Vendas na Europa começam em julho. Usa mesma arquitetura de carros compactos do grupo, que vai gerar o futuro Punto.

ANÁLISES na Europa deixam a entender que restam poucas alternativas à possível fusão entre os grupos PSA Peugeot Citroën e Fiat-Chrysler. Os dois conglomerados, separadamente, não poderiam enfrentar os gigantescos investimentos já alocados pelo grupo VW-Porsche. Participação somada de franceses e italianos, no mercado europeu, é menor que a do grupo alemão.

AUDI Q3 impressiona pelo estilo atual, em particular visto de ¾ de traseira, interior muito bem cuidado e combinação de recursos eletrônicos. Dimensionalmente semelhante ao Tiguan, o motor oferece mais 11 cv, quatro opções de controle de rodagem e um sistema atualizado do conhecido recurso de roda-livre para poupar combustível. Estará no mercado em abril.

MAGNÍFICO motor quatro cilindros turbo de 1,6 litro/165 cv (projetado pela BMW) passa a equipar o Peugeot 408. Trata-se da mesma unidade já usada nos 3008 e RCZ, além dos Minis. Será a versão de topo, Griffe THP, deste sedã derivado do 307/C4, fabricado na Argentina, ao preço de R$ 81.490.

GOVERNO Federal pretende endurecer a “Lei Seca”, não tão seca assim, pois há uma pequena tolerância. Gestiona junto ao Congresso multas ainda mais pesadas para quem beber e dirigir, além de penas administrativas (suspensão da carteira de habilitação) mais severas. Também prevê outros métodos de avaliar o nível etílico – testemunhas, entre outros – no caso de recusa ao bafômetro.

PERFIL
   
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
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Thursday, January 26, 2012

FERNANDO CALMON - VENCEDORES E VENCIDOS


Alta Roda nº 665/30 – 26/01/2012


Fernando Calmon
Houve apenas duas mudanças no ranking de modelos preferidos de 2011 em relação aos de 2010. O Fusion recuperou a liderança perdida para o Azera por uma margem apertada de dois pontos percentuais. Mas a marca sul-coreana conseguiu, graças ao preço baixo do Veloster, se acomodar no primeiro lugar entre os carros esporte/esportivos, apesar do seu desempenho sofrível (promete mudar com o motor de 200 cv).
Segmentos que mais cresceram foram os de automóveis grandes e de topo, mais em razão da base comparativa baixa. Médios-grandes, no entanto, subiram as vendas em 51% (muito acima do mercado, 3%) e os motores de 1 litro caíram para 45%, nível semelhante ao de 1995. Estes dois resultados refletem o claro aumento de poder aquisitivo dos compradores.
O critério da coluna – também muito usado no exterior – é somar hatches e sedãs de mesma arquitetura, mesmo que tenham nomes diferentes. Também somam-se gerações anteriores que convivem com as atuais, casos de Mille/Uno, Gol G4/G5 e Tucson/ix35, entre outros. Assim, Gol e Voyage formam uma dupla muito difícil de ser batida. Separando-se as versões, o Gol continuou na frente do Mille e o Siena supera o Voyage.
Briga indefinida pela liderança continua entre Palio Weekend/SpaceFox e Fit/Idea. Nos dois segmentos mais importantes (compactos e médios-compactos) há diferenças mínimas em disputa nas posições secundárias. Entre os SUVs pequenos a relação entre distância entreeixos (até 2,70 m) e comprimento é o fator de classificação formal, deixando o Captiva na fronteira inferior dos SUVs médios.
Os resultados abaixo, compilados por Paulo Garbossa, da ADK, incluem apenas modelos mais representativos. 
Classificação completa em www.twitter.com/fernandocalmon

Compactos: Gol/Voyage, 19%; Uno/Mille, 13%; Celta/Prisma, 9,8%; Palio/Siena, 9,6%; Corsa/Classic, 8%; Fiesta hatch/sedã, 7%; Fox/CrossFox, 6%; Logan/Sandero, 6%; Agile, 3,6%; Ka, 3,1%; 207 hatch/sedã, 2,7%; Punto/Linea, 2,4%; C3, 1,8%; Clio/Symbol, 1,6%; City, 1,2%; Polo hatch/sedã, 1,1%. Gol/Voyage parecem consolidados.
Médios-compactos: Corolla, 16%; Focus hatch/sedã, 11,3%; i30, 11,2%; Golf/Jetta, 9%; Astra hatch/sedã, 7,7%; Civic, 7,2%; Cerato, 6%; C4/Pallas, 5,7%; Vectra hatch/sedã, 5,6%; Bravo, 4%. Corolla resistiu, Focus reagiu.
Médios-grandes: Fusion, 19%; Azera, 17%; Sonata, 15%; Mercedes C, 13%. Fusion virou o jogo.
Grandes: Cadenza, 26%; Mercedes E/CLS, 24%; Omega, 22%; BMW 5/6, 21%. Cadenza ainda líder.
Topo: Panamera, 51%; BMW 7, 17%; Mercedes S/CL, 14%. Fácil para o Panamera.
Stations pequenas: Palio Weekend, 43%; SpaceFox, 42%; Parati, 9%. Liderança por um fio.
Stations medias/grandes: Mégane Grand Tour, 40%; i30 SW, 19%; Freemont, 4%. Grand Tour sem preocupação.
Monovolumes pequenos: Fit, 22%; Idea, 20%; Meriva, 17%. Fit já sob ameaça.
Monovolumes médios: Picasso Xsara/C4, 44%; Zafira, 35%; J6, 11%. Líder menos folgado.
Picapes pequenas: Strada, 48%; Saveiro, 29%; Montana, 18%. Nada mudou para a Strada.
Picapes médias: S10, 31%; Hilux, 24%; L200/Triton, 16%. Difícil encostar na S10.
Utilitários esporte pequenos: EcoSport, 23%; Tucson/ix35, 19%; CR-V, 10%. EcoSport enfraqueceu.
Utilitários esporte médios: Captiva, 24%; Sorento, 19%; Hilux, 16%. Captiva segurou a liderança.
Utilitários esporte grandes: Pajero Full/Dakar, 39%; Discovery, 18%; Veracruz, 15%. Pajero ampliou.
Esporte/Esportivo: Veloster, 47%; Camaro, 21%; Mercedes SLK, 8%. Veloster se garante com preço.

RODA VIVA

NA EUROPA, os dez automóveis mais vendidos em 2011: Golf, Polo, Fiesta, Corsa, Clio, Astra, Focus, 207, Mégane e Passat (único médio-grande da lista). Nos últimos 12 anos, o Golf liderou seis. Médios-grandes japoneses dominam o mercado americano: Camry, Altima, Accord, Fusion, Corolla/Matrix, Cruze, Sonata, Civic, Malibu e Elantra.
FONTES argentinas destacam que antigas instalações reformadas da Chrysler, em Córdoba, poderão fabricar a nova Dakota. Esta picape média (já produzida aqui) saiu de linha em 2010 e agora teria estrutura monobloco, se o projeto se confirmar nos EUA. Jeeps Cherokee e Grand Cherokee foram produzidos no país vizinho, entre 1997 e 2000.
CITROËN decidiu montar espaço-conceito na mais sofisticada rua da capital paulista, a Oscar Freire, frequentada também por muitos visitantes de outros Estados. Ideia diferente porque não venderá carros, nem será vitrine. Funcionamento, de fevereiro a dezembro, focará em atividades culturais: exposições, cursos, pequenos shows, música e gastronomia.
ATÉ OUTUBRO de 2014, todos os automóveis e comercais leves vendidos na Europa deverão sair de fábrica com Controle Eletrônico de Estabilidade (ESC, em inglês), que atua em conjunto com os freios ABS, corrigindo automaticamente a trajetória na iminência de derrapagem. O sistema existe desde 1995 e, portanto, passaram-se quase 20 anos até sua adoção obrigatória.

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Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
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Thursday, January 19, 2012

Fernando Calmon - A MODA MUDA


Alta Roda nº 664/29 – 19/01/2012



Fernando Calmon
O Salão do Automóvel de Detroit (14 a 22 de janeiro) ainda não recuperou todo o espaço ocupado anteriormente nos tempos de opulência em razão da desistência de algumas marcas europeias e japonesas. No entanto, marcou tendências interessantes e consolidou o avanço em direção de automóveis um pouco menores e motores mais econômicos.
Exemplo vem do novo Fusion. Além de se unificar com o Mondeo europeu, a Ford fez a troca definitiva do motor V-6 de aspiração normal por um 4-cilindros turbo de 2 litros, com potência semelhante, maior torque e mais autonomia em km/litro. Esse médio-grande terá comercialização nos EUA e no Brasil quase simultânea, mas aqui também será oferecido um motor flex de 4 cilindros e 2,5 litros.
A Chrysler respondeu com o sedã Dart – nada a ver com o modelo que foi fabricado no Brasil –, aproveitando a mesma arquitetura do Alfa Romeo Giulietta/Fiat Bravo e motores de origem Fiat e Chrysler. Na realidade, é o sucessor natural do Neon, de tração dianteira, vendido também aqui. Como será produzido nos EUA não tem preço competitivo para ser importado.
Surpresa bem escondida pela GM foi o Buick Encore. Trata-se de um SUV compacto, com futura versão mais em conta da Chevrolet (menor que o Captiva) para brigar nos EUA com o Ford Escape. Sua arquitetura é a mesma do veículo pequeno global que deu origem ao Cobalt e, portanto, deve ser feito no Brasil para focar o novo EcoSport e o Renault Duster.
Em termos de estilo, parece que a moda dos faróis de grandes dimensões e formatos exóticos começa a perder força, resgatando a sua tradicional função de bem iluminar os caminhos. No Lincoln MKZ, no próprio Fusion e em outros, continuam como importantes elementos estéticos, porém sem exageros.
Dois carros-conceito da Chevrolet chamaram atenção. O Code 130 R, de tração traseira, compartilha a arquitetura do ATS, modelo com o qual a Cadillac decidiu dar combate aos Audi A4, BMW Série 3 e Mercedes Classe C. Já o Tru 140S é um exercício de desenho do que poderia ser o Cruze cupê.
Jornalistas brasileiros puderam testar os Sonics hatch e sedã. Na prática, isso confirma sua importação no segundo semestre, quando começará a fabricação no México. Como acontece com modelos argentinos, estará livre dos ônus de importados de outras origens, embora a GM continue a falar em “estudos”. O Sonic virá nas versões completas, mirando o novo Fiesta (em torno dos R$ 50 mil). Tem a seu favor bom espaço interno, quadro de instrumentos criativo, estilo atual (sem arrebatar) e dirigibilidade agradável. Unidade avaliada possuía motor de 1,8 litro, igual ao do Cruze, com 6 cv a menos, mas é provável que a fábrica opte por um de 1,6 litro.
A Mercedes-Benz fez o lançamento mundial do novo conversível SL, 140 kg mais leve que o anterior. De olho nos endinheirados da Califórnia, o carro tem presença marcante, apesar de pragmáticos desejarem algo mais. A Hyundai agora dispõe de um motor turbo para o cupê de três portas Veloster (1,6 l/201 cv) que lhe garante desempenho compatível ao seu estilo audacioso.
A Volkswagen, por sua vez, lançou o Jetta híbrido que se destaca como referência em consumo frente ao Prius, pioneiro de mercado e, até agora, pouco incomodado.

RODA VIVA

TOYOTA faz suas apostas no Prius c, apresentado em Detroit. Esse híbrido tem porte menor (ainda mais econômico no consumo de gasolina) e preço acessível. A marca japonesa pretende atrair a faixa de entrada do mercado americano, abaixo dos US$ 20 mil (R$ 36 mil). Reúne condições de chegar ao Brasil a preço mais atraente do que o Prius convencional.

NOVO Ka, em desenvolvimento em Camaçari (BA), não ficará igual ao que será fabricado na Europa. J. Mays, vice-presidente mundial de Design da Ford, admitiu, durante conversa em Detroit: “Mercados de entrada são bastante diferentes entre países emergentes e europeus”. Ou seja, desenho único em todos os mercados da Ford pode ter uma exceção...

CHRYSLER sabe que precisa construir fábrica no Mercosul para conseguir preços competitivos nos produtos importados do México pelo acordo bilateral de comércio. Brasil seria candidato natural e favorito. Mas, os argentinos também estão no páreo e apontam a marca Jeep como escolhida no lado de lá da fronteira. Decisão não deve demorar muito.

SPORTAGE, agora com motor flex de 2 litros e até 178 cv (etanol), confirma que os sul-coreanos estão sendo mais audazes do que outras marcas instalados há décadas no Brasil e com experiência acumulada no combustível vegetal. O Kia tem potência 7,3% superior em comparação à gasolina (mais 12 cv). Há motores flex no Brasil com diferença de apenas 1 cv.

FENÔMENO incômodo acontece quando o para-brisa embaça pelo lado de fora. O limpador ajuda a remover a condensação observada. Melhor maneira, entretanto, é ligar o ar quente, direcionando-o para a base do para-brisa. Causa algum desconforto no habitáculo pelo aumento da temperatura. Vale a pena, pois o embaçamento demora a retornar.
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Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
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Thursday, January 12, 2012

Fernando Calmon - CRIAR EXPECTATIVAS


Alta Roda nº 663/28 – 12/01/2012



Fernando Calmon
O ano começou agitado e promete muitas atrações, entre elas pelo menos 25 modelos inteiramente novos – nacionais e importados – que se somarão a reestilizações, novas versões e motorizações, totalizando no mínimo 40 lançamentos. Inusitadamente, a Ford fez uma pré-apresentação em Brasília do novo EcoSport, em ação simultânea com a filial da Índia. Esta aproveitou o Salão do Automóvel de Nova Déli para revelar o novo produto, a ser vendido em 100 países, inclusive exportado do Brasil para América Latina. Além da Índia, Espanha e China estão no mapa de produção.
Bastante diferente do EcoSport atual, impõe linhas atraentes, modernas e ênfase aerodinâmica até nos racks de teto. Conserva o estepe fixado na porta do compartimento de bagagem, mas esteticamente talvez ficasse melhor sem ele. O Brasil será o primeiro país a comercializá-lo. A coluna aposta que chegará no segundo trimestre, em maio ou, no máximo, junho próximos. Até lá, a Ford terá campanhas agressivas de bônus para se contrapor ao Renault Duster, além de confiar na expectativa criada por essa prévia.
O novo modelo tem sua base criativa no centro de desenvolvimento de Camaçari (BA) e, portanto, o País não podia ficar de fora do evento, que se repetirá em abril no Salão de Xangai, China. O protótipo mostrado na capital federal nada revelava do interior e, externamente, alguns detalhes continuavam “escondidos”, como os faróis que utilizavam lâmpadas de leds para simular luzes diurnas de sinalização. A Ford se fechou em copas sobre a estrutura mecânica, mas se sabe que a arquitetura é a mesma do novo Fiesta, hoje importado do México e a ser fabricado igualmente na Bahia.
A empresa desconversou sobre motores, embora na Índia fosse informado que utilizará o Ecoboost de três cilindros, 1 litro, turbocompressor, injeção direta e 120 cv. Aqui, certamente, virá com o Sigma de 4 cilindros, 1,6 litro, 116 cv, que já equipa o novo Fiesta e o Focus, pois o Ecoboost baiano ainda vai demorar 18 meses (também será usado, assim como o de 2 litros).
Quanto ao mercado interno em 2012, as boas perspectivas continuam especialmente quando se esperam preços promocionais se generalizando. Em 2011 houve recorde de vendas (3,63 milhões, mais 3,4%) e de produção (3,41 milhões, mais 0,7%), pouco abaixo da previsão de crescimento de 5%. Os estoques recuaram de 35 dias, em novembro, para 30 dias, em dezembro. A Anfavea acredita que as vendas este ano subirão entre 4% e 5%.
Para ter ideia da competição pelo comprador, a chinesa JAC já oferece bônus de R$ 1.000 para o J3 e o J5, além de não repassar ao preço, nos próximos meses, o aumento do IPI que incide, provisoriamente, sobre todos os importados. Por aí, dá para imaginar a substanciosa vantagem cambial existente no Brasil para importar qualquer bem de consumo, particularmente automóveis. A Hyundai-Caoa até tentou, mas não conseguiu que a Justiça anulasse a elevação desse imposto interno, mesmo sob alegação de tratados da Organização Mundial do Comércio.
Ao longo de 2012, o governo deve amenizar as exigências para fabricantes se instalarem no Brasil. Isso inclui mais tempo para atingir índices de nacionalização.

RODA VIVA

ESTATÍSTICAS confirmam a avidez do mercado brasileiro por novidades, segundo o consultor Francisco Trivellato. Entre os 100 veículos mais vendidos nos últimos três meses, os lançamentos ou aqueles que tiveram grandes mudanças entre 2010 e 2011 representaram 20% do total das vendas. Isso ocorre também em outros países, porém aqui o fenômeno é bem mais sensível.

CHERY lança o S-18, subcompacto com a tradicional fórmula de carro completo, por R$ 31.990,00. O hatch é 9 cm mais curto que o Mille e se destaca pelo desenho atual criado por um estúdio italiano. Trata-se do primeiro modelo chinês com motor flexível de 1,3 litro e 91 cv (etanol). Aumento de IPI influenciará muito pouco no preço, bem negociado com a matriz.

CONTRAN, na verdade, republicou toda a regulamentação já existente de radares apenas para dispensar a placa que obrigava o aviso de fiscalização. Pode ocorrer a proliferação de navegadores GPS que informam a localização dos tipos fixo (em postes) e estático (colocados sobre tripés, provisoriamente). Em ambos os casos, aliás, não devem ficar escondidos.

SUCATEAMENTO de veículos no Brasil já superou 1,1 milhão de unidades por ano. Na maioria, continuam constando como frota registrada, o que dificulta qualquer planejamento. O pior, no entanto, é a falta de fiscalização no desmonte do veículo e de vários componentes recicláveis como vidros, plásticos, borrachas e outros. Há controle apenas sobre pneus.

MOBILIDADE, Design e Tecnologia é a identificação do novo curso de extensão universitária que a FAAP – Fundação Armando Álvares Penteado, de São Paulo (SP), inicia no próximo mês de março. Quando tanto se cobra inovação e tecnologia da indústria, deveria receber mais divulgação. Informações: http://www.faap.br/pos_graduacao/index.htm

PERFIL
   
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
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Thursday, January 5, 2012

Fernando Calmon - MULTAR OU EDUCAR


Alta Roda nº 662/27 – 04/01/2012


Fernando Calmon
A resolução 396 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), editada em 13 de dezembro último, chamou a atenção por ter dispensado a autoridade, com jurisdição sobre a via, de sinalizar a presença de radares fotográficos que fiscalizam o limite de velocidade. Trata-se de um retrocesso em relação ao que ocorre em vários países. Na maioria dos casos existe um aviso de que a estrada ou trecho urbano conta com fiscalização, sem outros pormenores.
No Brasil, resoluções anteriores do próprio Contran (agora revogadas) regulamentavam rigidamente, com sinalização explícita, a distância entre a placa de sinalização do radar e a localização deste. Também proibia que radares ficassem escondidos em viadutos, muretas e armadilhas do tipo. A nova resolução não deixa claro se os dispositivos precisam ficar à vista dos motoristas.
A nova regulamentação, no entanto, tornou mais rigoroso o processo para instalação de radares, que deve ser precedido de estudos técnicos disponíveis ao público. Se já existir um medidor de velocidade fixo (pardal), os equipamentos dos tipos estático, portátil ou móvel só poderão ser utilizados a uma distância mínima de 500 metros em vias urbanas e 2.000 m em vias de trânsito rápido.
Por outro lado, continua a obstinação das autoridades de que a velocidade é o mal maior a combater e pouco se estudam, tecnicamente, as causas dos acidentes. Um caso típico aconteceu na rodovia dos Imigrantes (São Paulo – Santos), uma das mais modernas do País, onde ocorreu um engavetamento de 100 veículos em razão de forte neblina. A estrada tem velocidade de projeto de 120 km/h e naquele trecho foi reduzida para 100 km/h, como se todos os dias do ano houvesse condições adversas de visibilidade. No caso, a sinalização eletrônica de advertência poderia ser mais explícita, mas a custo maior. É cômodo e barato mandar reduzir o limite de velocidade.
As placas de sinalização precisam passar credibilidade ao motorista. Em inúmeros casos, o raciocínio simplista de que se deve impor um limite muito baixo para evitar abusos por parte dos motoristas pode ter efeito desmoralizador e contrário ao esperado. Isso vem sendo objeto de estudo em outros países.
Todos os motoristas sabem que devem diminuir a velocidade na frente de escolas, principalmente as rurais. Mas o fato gerador – travessia de alunos e movimentação atípica de pedestres – se dá por curtos períodos do dia ou é desnecessário nas férias escolares. A solução: luz amarela piscante, acionada por um responsável pela escola, e uma placa, informando o limite mais baixo de velocidade, enquanto durar a sinalização. O investimento não é alto e tem substancial poder educativo, algo que raramente se considera por aqui, porém muito comum no exterior.
Por fim, fica a expectativa sobre pendências que o Contran, agora sob a presidência de Júlio Arcoverde, precisa resolver. Caso da obrigatoriedade dos rastreadores, sucessivamente adiada por meio de resoluções. Segundo informações das seguradoras, a eficácia desse dispositivo caiu de 95% para 60%, pois criminosos já conseguem impedir seu funcionamento. É de se esperar que se torne, quando muito, um item opcional.

RODA VIVA

ESTRATÉGIA da Renault de usar o Clio como modelo básico, cada vez mais competitivo, pode desencadear nova rodada de contração dos preços nessa faixa. Por R$ 23.000, o compacto francês, fabricado na Argentina, recebeu itens antes opcionais (desembaçador traseiro, ar quente, conta-giros e banco traseiro rebatível). Esse preço vai até 2 de fevereiro.

MODELO de inspeção veicular ambiental (sem checar itens de segurança), implantado apenas na cidade de São Paulo, demonstra os erros de nascença dessa iniciativa. Qualquer tipo de inspeção deveria se dar em âmbito estadual, mesmo por etapas. Assim, seria possível conseguir controle centralizado da frota e uma tarifa mais acessível para os motoristas.

INICIATIVAS experimentais também acontecem no Brasil. O engenheiro cearense Fernando Ximenes foi além de instalar painel solar no carro para gerar eletricidade. Duas hélices presas no para-choque convertem energia do vento também em eletricidade. A intenção é de aliviar o alternador do motor convencional e, indiretamente, alcançar economia de combustível.

REDE Sarah de Hospitais e Reabilitação adverte para o número crescente de acidentados com lesões de medula que não usavam os cintos de segurança no banco traseiro. Suas estatísticas mostram que 70% das pessoas atendidas haviam esquecido ou, simplesmente, ignoravam a importância dos cintos, por se acharem naturalmente protegidas na parte de trás do veículo.

PROMOÇÃO em Zaragoza (Espanha) oferecia número ilimitado de aulas na autoescola, para jovens de 18 a 22 anos, por preço fixo. Só que para mulheres o valor promocional era 30% maior porque estas necessitam, em média, 50% a mais de aulas de direção para obter a carteira. Deu confusão, denúncia de discriminação e a promoção acabou.

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Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
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Thursday, December 29, 2011

Fernando Calmon - CARROS DE REPRESENTAÇÃO

Alta Roda nº 661/26 – 29/12/2011



Fernando Calmon
Em 2011 se comemoram os 125 anos do surgimento dos primeiros automóveis patenteados. Algumas tentativas de criar um veículo com propulsão própria foram feitas antes de 1886. Ideias anteriores não se tornaram viáveis. A história reserva a primazia a dois pioneiros – Karl Benz e Gottlieb Daimler – que no mesmo ano, em cidades diferentes da Alemanha, de forma independente, patentearam um triciclo e um quadriciclo, respectivamente.
Naquela época, as comunicações não eram tão boas e os dois empresários nunca se conheceram pessoalmente, apesar de concorrentes. Daimler morreu em 1900. Mas, as duas empresas – Benz & Cie. e Daimler-Motoren-Gesellschaft – acabaram se fundindo, em 1926, sob o nome Daimler-Benz. A marca Mercedes surgiu em 1901, quando o influente homem de negócios austríaco Emil Jellinek, sugeriu que um dos modelos Daimler, modificados para competição, recebesse o nome de sua filha de dez anos.
A nova marca logo criou vínculos aos incipientes veículos de representação. Esses modelos começaram a aparecer no início do século XX, mas não despertaram a atenção de reis e nobres. Um exemplo foi o czar russo Nicolau, entusiasmado por cavalgar, que valorizava os velhos costumes, sem atenção aos automóveis. O imperador alemão, Wilhelm II, mostrava atitude semelhante.
Cavalos e carruagens eram o símbolo máximo de mobilidade para a nobreza europeia. A burguesia endinheirada e emergente evoluiu mais rapidamente. Logo percebeu que automóveis poderiam ser usados para igual fim, desde que contassem com conforto e evolução mecânica. Aos poucos estábulos foram cedendo lugar a pátios e garagens.
A Daimler-Benz percebeu isso e tratou de atender essa demanda. Aí entra a visão de Jellinek ligada também às corridas automobilísticas. Era um aficionado e deu importantes contribuições aos automóveis de representação. Quando encomendava seus carros, não se ligava em carruagens ou modelos apenas alargados e encompridados. Sem abrir mão do conforto e imponência, exigia sempre um motor potente que se colocava no alto da hierarquia do oferecido naqueles dias. E o motorista viajava protegido e não exposto, como em outros modelos.
Em reconhecimento ao austríaco, um modelo 1907, inspirado por ele, está no Museu Mercedes-Benz, em Stuttgart, cidade-sede da companhia. A marca criou vários desses tipos de carros. O principal ícone foi o modelo 600, e sua versão esticada Pullman, usado por chefes de estado, reis, rainhas e príncipes, altos funcionários de governos e empresas, além de artistas e famosos em geral. Lançado em 1963, saiu de cena em 1981, depois de 2.677 unidades produzidas.
Apenas em 2002, a empresa voltou ao mercado revivendo a Maybach, de vínculos históricos com a Daimler e base do primeiro Mercedes. A intenção era ter um concorrente direto para o Rolls-Royce, mas a iniciativa não deu certo e a marca desaparecerá em dois anos.
Carros de representação ajudaram as três marcas alemãs a desenvolver o conceito e as características dos atuais modelos premium. Audi, BMW e Mercedes-Benz, claro, não estão mais sozinhas. Entre outras, as japoneses Acura (Honda), Infiniti (Nissan) e Lexus (Toyota) também são concorrentes, em especial no mercado americano.

RODA VIVA

AINDA por decidir pormenores, a Fiat quer mesmo fabricar produtos Chrysler no Mercosul (terceira tentativa da marca americana). Único modo de importar modelos Dodge e RAM do México sem pagar imposto de importação e ter o desconto do IPI majorado para os produtores instalados no Brasil. Nova fábrica de Goiana (PE) seria candidata natural, mas o tempo urge...

PRIMEIRA fábrica de motores no Nordeste, em Camaçari (BA), produzirá 210.000 unidades/ano. A Ford esconde a configuração, porém é provável eleger unidades de três cilindros. Afinal, se sabe que PSA Peugeot Citroën, GM e VW trilham o mesmo caminho. Fiat também tem o seu projeto, mas há rumores de que essa a opção “esfriou”.

FINALMENTE, caíram as taxas protecionistas que tiravam a possibilidade do Brasil exportar etanol de cana-de-açúcar para os EUA. Nada deve mudar em curto prazo. Mas abre espaço para o etanol ser cotado em bolsa de mercadorias e ter seu preço previsível. A entressafra de lá é a safra daqui (e vice-versa), o que complementará os dois mercados de forma ideal.

CONTRAN, quase inoperante ao longo de 2011, terminou o ano com decisão polêmica. Não é mais obrigatória a sinalização da posição de radares em ruas e estradas. Bom lembrar que vários países adotam esse aviso, embora alguns deixem de indicar a localização exata. Para o Brasil, pátria da indústria de multas, certamente é má notícia.

MOTORISTAS devem preparar o bolso para 2012, além do efeito de radares-armadilha. Seguros de veículos ficarão mais caros. Um componente, claro, são acidentes e roubos. Só que a rápida escalada de vendas dos últimos anos tornou lenta a distribuição de peças de reposição, estendendo prazos de reparação e, em consequência, seus custos.


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Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
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